quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um gênio, um puto!

Era o termo que o próprio Agenor de Miranda Araújo Neto, o famigerado Cazuza, usava para se definir: Um puto! Agora, se passaram 20 anos desde sua morte, duas décadas de lágrimas de uma geração que lutava pelos direitos de igualdade e a quebra do 'Sitema'. Com suas composições que falava sobre o modo louco e corajoso de se viver, Cazuza se tornou um ícone da música brasileira. Sua facilidade nas composições e sua voz suave porém poderosa conquistavam os ouvidos de milhares de brasileiros durante a década de 80.


Sua parceria com Roberto Frejat, foi muito aclamada. E a partir do sucesso dessa parceria, foi indicado por Léo Jaime para participar do grupo Barão Vermelho, com letras que simbolizavam a revolta de uma geração que não aceitava ser submetida as imposições da Sociedade. Mas Cazuza não foi reconhecido apenas por sua facilidade no ramo musical, ele foi (e ainda é) seriamente criticado por sua bissexualidade, sua rebeldia e principalmente seu tom polêmico. Foram passando anos e anos e a juventude se encantava cada vez mais com a expressão e com a aparência de um menino-homem sem medo do futuro, sem medo do que suas opiniões ditas na cara e sem nenhum pudor poderia causar ao poder.

No final da década de 80, Cazuza declarou ser soropositivo, iniciando assim uma guerra sem muitos esforços contra a temida AIDS, e acabou derrotado em 1990. A nação ficou chocada, um ícone, que representava tão bem o que uma geração cheia de esperanças e de objetivos apoiava, deixou milhares de fãs em prantos. Atualmente resta a lembrança de um garoto que se considerava um puto e que não tinha a menor vergonha de assumir publicamente o que era.

Fica claro que Cazuza não foi e nem será o melhor exemplo de pessoa para ninguém, porém um dos melhores exemplos de compositores e de músicos para uma juventude que se contenta com Restart, Cine e seus derivados.

Dedicado ao gênio musical mais puto da história!

''Frustrado, por não ter saída, por ser um homem sem todas as minhas possibilidades. Feliz por estar vivo e ter os meus pais. Triste pelo mundo triste, pela gente triste, agora: estou puto!'' 
                       CAZUZA (* 1958 / + 1990)

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